Allan Kardec é um pseudônimo. O homem que o usou se chamava Hippolyte Léon Denizard Rivail e, antes de 1857, era conhecido como educador. Este texto reúne o que a biografia escrita por Henri Sausse (conferência de 1896, publicada pela FEB em O que é o Espiritismo) conta desse período. Cada fato vem da própria biografia e é indicado como tal; o que a fonte não diz, não afirmamos. Para as datas e obras em tabela, veja também Allan Kardec em poucas linhas.
Nascimento e formação
Segundo Sausse, Rivail nasceu em Lyon em 3 de outubro de 1804. A biografia reproduz o registro civil, redigido em 12 do vindemiário do ano XIII, que o dá como nascido "ontem". Fez em Lyon os primeiros estudos e os completou "em Yverdun (Suíça), com o célebre professor Pestalozzi". A mesma fonte diz que ele conhecia e falava o alemão, o inglês, o italiano e o espanhol.
O educador em Paris
De volta a Paris, fundou na rua de Sèvres um estabelecimento de ensino nos moldes do de Yverdun, e a biografia registra o contrato de casamento com Amélie-Gabrielle Boudet em 6 de fevereiro de 1832. Em sua casa organizou "cursos gratuitos de Química, Física, Astronomia e Anatomia comparada, de 1835 a 1840". Foi premiado por concurso em 1831 com uma memória sobre o sistema de estudo mais adequado às necessidades da época.
A lista de obras didáticas citada por Sausse inclui o Plano apresentado para o melhoramento da instrução pública (1828), o Curso prático e teórico de Aritmética (nota da edição da FEB: o ano correto é 1824, e não 1829), a Gramática francesa clássica (1831), o Manual dos exames para obtenção dos diplomas de capacidade (1846), o Catecismo gramatical da língua francesa (1848) e, em 1849, a atuação como professor no Liceu Polimático. Sausse fala em "numerosas obras" e não fixa o total.
As mesas girantes
Sausse situa a mudança entre 1854 e 1856. Segundo o relato do próprio Kardec que a biografia transcreve, ele ouviu falar do assunto antes e foi cético. Em maio de 1855, na casa da Sra. Plainemaison, em Paris, "testemunhei o fenômeno das mesas girantes". A partir daí frequentou sessões semanais na casa da família Baudin e aplicou, nas palavras dele, o método de experimentação.
O livro e o pseudônimo
O relato diz que "mais de dez médiuns prestaram seu concurso" ao trabalho de perguntas, e que da comparação das respostas saiu a primeira edição de O Livro dos Espíritos, em 18 de abril de 1857 (data confirmada pela página da obra na FEB).
Sobre o nome: ficou "muito embaraçado" em decidir como assinar. Pesou que seu nome era "muito conhecido do mundo científico", o que podia "originar uma confusão". Por isso adotou o de Allan Kardec, que, segundo lhe teria revelado o guia espiritual, ele teria tido "ao tempo dos Druidas". Essa última parte é crença espírita relatada na fonte, e não fato histórico verificável.
Depois de 1857
A Revista Espírita saiu em 1º de janeiro de 1858 e a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas foi fundada em 1º de abril de 1858 (FEB: https://febnet.org.br/espiritismo-historia/allan-kardec/). Sausse registra que Kardec morreu em Paris em 31 de março de 1869, "sucumbindo da ruptura de um aneurisma", e foi acompanhado ao cemitério do Père-Lachaise. A fonte fala em "modesta lápide" no túmulo, e por isso não descrevemos o monumento.
Para continuar
- Allan Kardec: quem foi e o que escreveu
- As obras de Kardec, uma a uma
- Cidades espíritas do Brasil, para quem quer conhecer os lugares do espiritismo no país.
Fontes
- KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo. Tradução da Redação de Reformador, 1884. Federação Espírita Brasileira, 56ª edição, 2013. Inclui a "Biografia de Allan Kardec", de Henri Sausse, lida em conferência em 31 de março de 1896. Texto conferido em PDF dessa edição, hospedado em https://uemmg.org.br/wp-content/uploads/2024/02/6-o-que-e-o-espiritismo.pdf (lido em 17/10/2026).
- Federação Espírita Brasileira, "Allan Kardec": https://febnet.org.br/espiritismo-historia/allan-kardec/ (lido em 17/10/2026).
- Federação Espírita Brasileira, "O Livro dos Espíritos": https://febnet.org.br/_downloads/o-livro-dos-espiritos/ (lido em 17/10/2026).
Fotografia da capa: parede com retratos emoldurados, acervo próprio da Mundo a Passeio.
