O quinto capítulo da parte das leis morais de O Livro dos Espíritos, questões 702 a 727, trata do instinto de conservação: por que todo ser quer viver, até onde vai o direito ao bem-estar e o que a doutrina espírita pensa do jejum e da penitência. Cada resposta abaixo vem com o número da questão, para conferência na fonte.
O instinto de viver
"Sem dúvida. Todos os seres vivos o possuem, qualquer que seja o grau de sua inteligência." (O Livro dos Espíritos, questão 702) E a razão dada: "a vida é necessária ao aperfeiçoamento dos seres. Eles o sentem instintivamente, sem disso se aperceberem." (O Livro dos Espíritos, questão 703)
Bem-estar é permitido?
A obra não condena: "É natural o desejo do bem-estar. Deus só proíbe o abuso, por ser contrário à conservação." (O Livro dos Espíritos, questão 719) O limite é a conduta: o desejo é aceitável "desde que não seja conseguido à custa de outrem e não venha a diminuir-vos nem as forças físicas, nem as forças morais." (O Livro dos Espíritos, questão 719)
Necessário e supérfluo
"A Terra produziria sempre o necessário, se com o necessário soubesse o homem contentar-se." (O Livro dos Espíritos, questão 705) Quanto ao limite: "Aquele que é ponderado o conhece por intuição. Muitos só chegam a conhecê-lo por experiência e à sua própria custa." (O Livro dos Espíritos, questão 715) E sobre o prazer: foi dado, segundo a obra, para "Desenvolver-lhe a razão, que deve preservá-lo dos excessos." (O Livro dos Espíritos, questão 712)
Jejum, penitência e mortificação
É o trecho mais citado do capítulo. Sobre privar-se de gozos inúteis: "Há: a privação dos gozos inúteis, porque desprende da matéria o homem e lhe eleva a alma." (O Livro dos Espíritos, questão 720) O critério para julgar a privação aparece na questão 721: "Procurai saber a quem ela aproveita e tereis a resposta." (O Livro dos Espíritos, questão 721) E a definição de mortificação verdadeira: "Privar-se a si mesmo e trabalhar para os outros, tal a verdadeira mortificação, segundo a caridade cristã." (O Livro dos Espíritos, questão 721) Sobre sofrimento voluntário: "Os sofrimentos voluntários de nada servem, quando não concorrem para o bem de outrem." (O Livro dos Espíritos, questão 726)
Alimentação
"Permitido é ao homem alimentar-se de tudo o que lhe não prejudique a saúde." (O Livro dos Espíritos, questão 722) A obra liga isso à manutenção da saúde para trabalhar: "A lei de conservação lhe prescreve, como um dever, que mantenha suas forças e sua saúde, para cumprir a lei do trabalho." (O Livro dos Espíritos, questão 723) Este é um ensino religioso, e não substitui orientação de saúde.
Para continuar
- Capítulo anterior: casamento e reprodução.
- Capítulo seguinte: morte, guerra e tragédias.
- Visão geral: as leis morais de O Livro dos Espíritos.
Fontes
- KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. Federação Espírita Brasileira, 93ª edição (edição histórica), 2013. Citações conferidas uma a uma, em 17/10/2026, contra o texto desta edição e contra o número da questão indicado.
- Página da obra na FEB, com a descrição das quatro partes e das 1.019 questões: https://febnet.org.br/_downloads/o-livro-dos-espiritos/ (lida em 17/10/2026).
- Texto da edição histórica da FEB em PDF (cópia hospedada fora do site da FEB): https://cdn.cursoespirita.com/wp-content/uploads/Livro-dos-Espiritos.pdf (lido em 17/10/2026).
Capítulo V da Parte Terceira, questões 702 a 727.
Fotografia da capa: pôr do sol sobre um campo, acervo próprio da Mundo a Passeio.
