É o maior capítulo da parte das leis morais de O Livro dos Espíritos: as questões 825 a 872 tratam de liberdade, livre-arbítrio e destino. Reunimos as respostas centrais, cada uma com o número da questão para conferência na fonte. O conteúdo é o ensino da doutrina espírita, apresentado como tal.

Liberdade absoluta não existe

"Não, porque todos precisais uns dos outros, assim os pequenos como os grandes." (O Livro dos Espíritos, questão 825) A razão: "Desde que juntos estejam dois homens, há entre eles direitos recíprocos que lhes cumpre respeitar; não mais, portanto, qualquer deles goza de liberdade absoluta." (O Livro dos Espíritos, questão 826)

Escravidão

"É contrária à Lei de Deus toda sujeição absoluta de um homem a outro homem. A escravidão é um abuso da força. Desaparece com o progresso, como gradativamente desaparecerão todos os abusos." (O Livro dos Espíritos, questão 829)

Pensamento e consciência

"No pensamento goza o homem de ilimitada liberdade, pois que não há como pôr-lhe peias." (O Livro dos Espíritos, questão 833) Sobre obrigar alguém a mudar de crença, a obra diz que o resultado é "Constranger os homens a procederem em desacordo com o seu modo de pensar, fazê-los hipócritas. A liberdade de consciência é um dos caracteres da verdadeira civilização e do progresso." (O Livro dos Espíritos, questão 837) E sobre o respeito às crenças: "Toda crença é respeitável, quando sincera e conducente à prática do bem." (O Livro dos Espíritos, questão 838)

Livre-arbítrio

"Pois que tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar. Sem o livre-arbítrio, o homem seria máquina." (O Livro dos Espíritos, questão 843) E sobre a influência dos impulsos: "Não há, porém, arrastamento irresistível, uma vez que se tenha a vontade de resistir." (O Livro dos Espíritos, questão 845)

Destino e fatalidade

A obra admite uma forma de destino, mas ligada à escolha: "A fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espírito fez, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer." (O Livro dos Espíritos, questão 851) E devolve a responsabilidade: "ainda aqui lançais à conta do destino o que as mais das vezes é apenas consequência de vossas próprias faltas." (O Livro dos Espíritos, questão 852) Sobre a hora da morte: "Fatal, no verdadeiro sentido da palavra, só o instante da morte o é." (O Livro dos Espíritos, questão 853) É uma crença da doutrina e não deve orientar decisões de saúde ou segurança.

Por que o futuro é oculto

"Se o homem conhecesse o futuro, negligenciaria do presente e não obraria com a liberdade com que o faz." (O Livro dos Espíritos, questão 869) E sobre a influência dos astros: "Antiga superstição, que prendia às estrelas os destinos dos homens." (O Livro dos Espíritos, questão 867)

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Fontes

Capítulo X da Parte Terceira, questões 825 a 872.

Fotografia da capa: mirante com vegetação e vista de uma paisagem aberta, acervo próprio da Mundo a Passeio.